Gestão das empresas em família
- Claiton Olog Fernandez
- 23 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
O maior período da minha vida profissional se deu em organizações familiares. Uma verdadeira pós-graduação de gestão, cercada de desafios e conquistas, aprendizados do que uma empresa em família deve fazer e evitar.
Trata-se de um estilo de gestão cercado de peculiaridades, onde seus pilares são a família, a empresa e o patrimônio, normalmente entrelaçados, onde um não vive sem o outro.
A cultura na maioria das empresas em família ainda é de uma gestão centralizada, com a extensão de privilégios a familiares, como a contratação pela confiança e por solidariedade, a ocupação de cargos de liderança com pouca experiência e qualificação profissional, com remuneração não condizente com a prática de mercado, comprometendo a retenção de talentos, a produtividade e a lucratividade.
O crescimento do negócio familiar de forma abrupta, desfoca vários aspectos vitais como esquecimento da qualificação e preparação dos sucessores, falta de planejamento estratégico, investimentos errados, crescimento desordenado.
Mas, com certeza, uma das maiores dificuldades na empresa em família é conseguir separar a emoção da razão. Quando a gestão é exercida por familiares, há dificuldades enormes em ser totalmente imparcial e racional nas atitudes. Contrariar o coração pode levar a decisões distorcidas com prejuízos ao ambiente interno e dos resultados.
Todos esses fatores apontados acabam interferindo na gestão da empresa, na tomada de decisões coerentes, gerando conflitos e põe em risco a continuidade e o crescimento do negócio.
Assim, muitas empresas em família se profissionalizam contratando profissionais de mercado. Esse modelo de gestão híbrido, além de ser saudável evita que os naturais sucessores sigam carreiras diferentes fora do negócio familiar, na maioria das vezes por falta de incentivo e motivação. No entanto, esse modelo de gestão nem sempre é bem visto pelos familiares que estão no poder, porque não compactuam com a geração de novas ideias e a adoção de novos padrões.
Definir o modelo de gestão mais adequado é o maior desafio da empresa em família, até porque irá trazer maior confiança nas tomadas de decisões, agregar valores ao crescimento e à sustentação do negócio.
Nestas condições, à medida que a empresa em família amadurece dentro do seu modelo de gestão, os interesses da empresa ficarão em primeiro plano, diminuindo a competição por status, controle de poder e conflitos familiares.
Como se vê, na empresa em família mudanças impulsionam o profissionalismo e o profissionalismo impulsiona mudanças.
Reflita sobre isso!



Comentários